Após euforia, bolsas fazem ajustes

Fevereiro começa com quedas significativas, mostrando acomodação após grande liquidez.

Depois de ter o mês de janeiro marcado por recordes atrás de recordes nas principais bolsas de valores do mundo, o mercado financeiro global inicia fevereiro com quedas significativas e tão históricas quanto às positivas das primeiras semanas de 2018. A justificativa, segundo analistas financeiros, está principalmente na euforia causada pelo excesso de liquidez no mundo afora.

Enquanto no mês passado os três principais índices de Wall Street fecharam com altas seguidas de altas, com o índice industrial Dow Jones atingindo marcos históricos nunca antes vistos, assim como o Nasdaq e o S&P 500 avançando em ritmos históricos e a bolsa de Tóquio situando no ponto mais alto desde novembro de 1991, fevereiro começou um pouco diferente para os mercados financeiros internacionais.

Aliás, logo nos últimos dias de janeiro as bolsas globais já começavam a dar sinais de desaceleração, como se pôde observar ontem, com contaminação da retração observada na segunda (5) na Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos, que caiu 4,6%. Num efeito cascata, as bolsas asiáticas também encerraram em baixa e as bolsas europeias seguiram a mesma tendência.

Com os mercados ditos emergentes a situação não foi muito diferente. Tratando-se especificamente do Brasil e do Índice Bovespa, bateu recordes atrás de recordes nas primeiras semanas de 2018, ultrapassando inclusive os 80 mil pontos, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também já começa a refletir o movimento de baixa observado no mercado financeiro global, embora tenha encerrado ontem com alta de 2,5%.

A explicação dos especialistas está justamente na busca pelo equilíbrio por parte dos mercados. O analista da Ativa Investimentos, Lucas Claro, por exemplo, lembra que havia um excesso de confiança no mercado por conta da liquidez disponível. Segundo ele, porém, já nos últimos dias de janeiro os Estados Unidos começaram a apresentar comportamento diferente, com uma primeira queda na bolsa e os demais mercados já entraram em alerta.

“A expectativa é que o mercado continue em alta. Este movimento é apenas de correção e equilíbrio por conta da euforia em excesso do início do ano. A volatilidade vai continuar a existir, principalmente nos mercados emergentes, como o Brasil, mas em função de motivos internos”, avaliou.

O sócio-diretor da L2 Capital Partners, Rafael Augusto Calcagno Siqueira, concorda com os argumentos de Claro e complementa que as correções ocorridas no mercado norte-americano, após dois anos de estabilidade, levaram os mercados financeiros do restante do mundo a uma situação de instabilidade.

“O cenário vinha com bolsas batendo recordes, bonds elevados, volatilidade baixa, renda do trabalhador americano subindo, taxa de juros aumentando e impactando os ativos... O restante do mundo começou a prestar atenção no conjunto de fatores e provocou mais um movimento de correria nos mercados”, explicou.

Quanto aos próximos movimentos, segundo Siqueira, é difícil prever. Porém, ele alerta que uma postura defensiva é a mais adequada no momento. “Quando vemos no mercado financeiro movimentos de picos, é porque uma fase está se findando. Pode ser o fim de uma chamada bolha de investimentos”, opinou.

Ajustes - Para o coordenador de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, é preciso frisar que o atual momento vivido pelo mercado financeiro é bem diferente do ocorrido há dez anos, quando o mundo saía de uma recessão e os países precisavam se recuperar. De acordo com o analista, o atual cenário é muito mais de ajustes e afetará menos quem estiver melhor preparado, o que infelizmente não é o caso do Brasil.

“Quando existem estes ajustes, países melhor preparados sofrem menos. O Brasil não está (preparado), até porque, está tentando sair de uma recessão econômica que há pouco passou”, alertou.

Eleições - De maneira complementar, o professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), Joelson Sampaio, destacou que o mercado externo vive agora as consequências de uma expectativa além do esperado, mas que se trata apenas de um reajuste que logo voltará à calmaria.

Já em relação ao Brasil, o professor foi enfático em dizer que os problemas maiores não dizem respeito ao cenário externo, mas às implicações do próprio País e um ano de incertezas, eleições presidenciais e reformas a serem aprovadas. “A volatilidade aqui é bem maior”, finalizou.

Diário do Comércio Online - MG
Data de publicação: 07/02/2018

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