PIB pode frustrar e ter alta abaixo de 2%

O risco de instabilidade política nas eleições e a fragilidade do emprego, dos investimentos e do quadro fiscal do governo federal podem frustrar as expectativas do mercado para a expansão do Produto Interno Bruto (PM) brasileiro.

A média das projeções aponta, até agora, para um avanço de 2,7% da economia em 2018. No entanto, o professor e coordenador do Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Nelson Marconi, está menos otimista e calcula que o PIB deve crescer entre 1% e 2% no máximo no período.
Já o professor emérito da mesma instituição, Luiz Carlos Bresser-Pereira, diz que as previsões do mercado são possíveis, mas que será muito difícil que o País tenha expansão média anual acima de 2,5% nos próximos anos, tendo em vista as políticas de câmbio apreciado e de taxas de juros altas, as quais, por sua vez, desestimulam os investimentos e os lucros das empresas industriais. Segundo Marconi, o crescimento da economia não vai chegar a 3% neste ano a começar pelo fato de que, os dois fatores importantes, que estimularam a atividade em 2017, não irão se repetir. O primeiro deles foi a safra recorde de grãos 2016/2017, que chegou a atingir 238,8 milhões de toneladas, alta de 28% em relação à safra 2015/2016, mostram dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Já a projeção para a safra 2017/2018 é de 226,5 milhões de toneladas, queda de 4,7%. O segundo fator que beneficiou a economia em 2017 foi a liberação dos recursos do Fundo de Garantia de Tempo e Serviço (FGTS), ação de governo que acabou impulsionando o consumo de bens duráveis. Este movimento, pontua Marconi, não irá mais ocorrer ao longo de 2018, dada a fragilidade do mercado de trabalho. "O que está se recuperando é a ocupação precária e, não, o emprego formal. Isso ajuda muito pouco a expansão dos gastos das famílias", afirma o economista, lembrando que as ocupações informais limitam as possibilidades que as pessoas têm de se endividarem no longo prazo, como na compra de um imóvel ou de um carro. "O consumo vai ajudar a atividade, mas nós não teremos uma recuperação da renda e do emprego tão grande a ponto de colocá-lo como o motor da economia", acrescenta Marconi. Outro ponto levantado por ele é que a inflação deve fechar o ano em um patamar um pouco maior do que no ano passado, indicando uma estabilização da massa salarial em 2018.

Instabilidade
Além do consumo fraco, as chances da taxa básica de juros (Selic) e do câmbio subirem em 2018 são elevadas. Para Marconi, essa possibilidade vem na esteira da deterioração do quadro fiscal do governo federal o que tem aumentado o risco de um novo rebaixamento do Brasil pelas agências de rating e da expectativa de instabilidade política.
Ontem, a Moody s Investors Service divulgou um estudo apontando que o Brasil é o país da América Latina com a estrutura de gastos públicos mais engessada, por conta da elevada participação de despesas obrigatórias, ou seja, vinculadas à Constituição, no Orçamento federal.
Equador, Peru e Nicarágua, por sua vez, são os mercados latinos com estrutura mais flexível. Na avaliação do professor da FGV, o segundo turno das eleições presidenciais em outubro deve ficar entre um candidato de centro-direita e outro de centro-esquerda, situação que tende a ser aproveitada por uma parte dos investidores para movimentar capital especulativo, de forma a retirar divisas do País. Este cenário deve pressionar o câmbio e impedir que o Banco Central (BC) continue baixando a taxa Selic, atualmente em 7% ao ano. Por outro lado, um fator positivo será a continuidade do aumento da produção de automóveis para a exportação, A indústria automotiva corresponde a 10% da produção industrial total, diz Marconi.

Paula Salati

Data da publicação: 10/01/2018

Fonte: DCI - SP/ECONOMIA