Três das maiores cidades da Grande São Paulo têm, juntas, dívida acima de R$ 9 bilhões

Guarulhos, São Bernardo e Santo André devem, juntas, mais de R$ 9 bilhões

Guarulhos, São Bernardo e Santo André, três das maiores cidades da Grande São Paulo têm, juntas, uma dívida que ultrapassa os nove bilhões de reais. O valor corresponde a quase todo o orçamento anual dos municípios somados.

No caso de Santo André, a área da saúde enfrenta o maior rombo nas contas. A Prefeitura deve aos fornecedores da área mais de R$ 95 milhões. O montante equivale a cerca de um terço da dívida total do município, que é de R$ 312 milhões.

Em Guarulhos, a situação é ainda pior. No total, a dívida do município chega a R$ 8 bilhões. Quem precisa da saúde pública paga essa conta com sofrimento. "A gente trouxe remédio, lençol, roupa do neném, lençol para cama do neném porque não tem nada aí, não tem álcool, algodão, não tem nada”, afirma a diarista Marileide Maria dos Santos.

Os funcionários do Hospital do Pimentas não negam o grave problema no atendimento: “Se você puder transferir para outro hospital é melhor. Insumo, sim, falta bastante”, afirma uma funcionária. “Essa é a pior fase do hospital”, alerta outra.

As dificuldades financeiras também paralisaram obras. A construção de um viaduto em São Bernardo do Campo está abandonada há dois anos. “Com certeza, se terminasse o trânsito em São Bernardo ficaria muito melhor”, afirma a diretora de escola Karina de Ângelo.

O problema das enchentes segue sem solução. Uma obra de contenção da água da chuva na Rua Jurubatuba parou completamente em 2015. E paralisou também o comércio na rua que foi uma das mais importantes da cidade. No canteiro do piscinão, no paço municipal, tem caminhão, tem operário, mas a obra não avança. A dívida de São Bernardo do Campo já passa de R$ 1 bilhão.

O começo da dívida

A principal explicação dos especialistas em contas públicas é que quando a economia e a arrecadação estavam crescendo, os municípios contrataram uma série de despesas que viraram ou dívidas ou despesas permanentes, como aumento de gastos com pessoal. E aí, quando a arrecadação começou a cair, os municípios já não tinham mais como pagar.

“A alta da taxa de juros tem ajudado também, porque aí ela incide sobre essa dívida e vai tornando ela cada vez maior, né. Tem que tentar fazer tudo para conseguir manter a oferta de serviços básicos para a população. Então, você tem que tentar renegociar preços, renegociar sua dívida, tentar melhorar arrecadação via esses mecanismos de fiscalização, renegociação de débitos para a justamente preservar esses serviços que são essenciais para a população”, explica o economista e professor de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), Nelson Marconi.

 

Portal G1 - SP
Publicação: 14/03/2017