Após a queda do PIB no segundo trimestre, quando a minha vida finalmente vai melhorar?

Infelizmente, está mais difícil de saber essa resposta. Os brasileiros estão aos poucos voltando a viver a realidade de antes da pandemia, ou seja, a lidar com o Brasil de desemprego, renda baixa, inflação e alta de juros, com uma eleição pela frente.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,1% no segundo trimestre em comparação aos três meses anteriores, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal dado medidor do desempenho da economia do país decepcionou a expectativa do mercado financeiro, depois de três trimestres consecutivos de aceleração do indicador.

Isso aponta que o cenário econômico não está melhorando como era esperado e que há mais incertezas agora, apesar do avanço da vacinação contra a covid-19 e da redução de casos e mortes. As projeções dos analistas para a economia já vinham se deteriorando e agora dependem de bem mais coisas além da pandemia. Afinal, quando a sua vida finalmente vai melhorar? Infelizmente, está mais difícil de saber essa resposta e, em 2022, o Brasil ainda deve andar de lado, afirmam economistas.

“Parece que aquele ímpeto de volta de economia que todo mundo esperava ficou no passado”, diz Emerson Marçal, coordenador do curso de Graduação em Economia da FGV EESP. “A economia vai andar devagar. Estamos voltando a viver a realidade de antes da pandemia, ou seja, a lidar com o Brasil e ainda agravado pela covid.”

A maioria dos brasileiros continua vivendo no sufoco. O PIB apontou que as famílias continuam segurando o consumo. Além disso, o desemprego diminuiu, mas em ritmo bem mais lento do que nos países desenvolvidos. Ainda há 14,4 milhões de pessoas sem emprego no país e o rendimento médio da população caiu, por causa do aumento do trabalho informal.

A inflação medida pelo IPCA caminha para perto de 8% em dezembro e o cenário para ela em 2022 é cada vez mais duvidoso, com a escassez hídrica se agravando e acelerando a chance de racionamento. A alta generalizada dos preços está levando o Banco Central a ter que apagar o incêndio subindo juros, deixando o crédito mais caro para as pessoas e as empresas.

Como se não fosse suficiente, as brigas do presidente Jair Bolsonaro com as instituições, o caos das contas públicas e as incertezas com a aproximação das eleições de 2022 afastam investidores do Brasil.

“A economia depende das decisões tomadas e uma sequência de anos bons ainda não está no horizonte. Estamos empurrando com a barriga as reformas para ajeitar o fiscal. Você precisa plantar para colher e o Brasil não tem plantado o suficiente ”, afirma Marçal.

“Para 2022, temos como candidato o presidente atual, que não conseguiu avançar com as pautas econômicas, e oponentes que ainda não estão claros. Há incertezas de como o Brasil vai enfrentar questões inadiáveis e isso vai condicionar o que vai acontecer nos próximos anos.”

E ainda há a chance de uma variante de coronavírus mais perigosa dificultar a imunização. Ou seja, daqui para frente, não é mais apenas o efeito da vacinação contra o coronavírus que deve sustentar as expectativas de avanço da economia, e sim tudo isso.

“ A vacinação permitiu uma melhora no setor de serviços, um dos únicos a crescer além dos gastos do governo, ou seja, sem o avanço da imunização permitindo a reabertura de vários lugares, o resultado da nossa economia seria ainda pior”, afirma Alexandre Lohmann, economista da Constância Investimentos.

Ele concorda que o cenário para as pessoas não é nada animador. “ O que se desenha para mim é um quadro de estagnação ou crescimento baixo e inflação alta, que vai pesar muito para as famílias, corroendo o poder de compra sem recuperação da renda ”, diz. E acrescenta que a pandemia vai deixar cicatrizes de longo prazo que são difíceis de mensurar agora, com crianças de fora da escola. “Uma vez que a pandemia acabe, provavelmente vamos voltar ao normal, mas normal é bem pouco”, afirma.

José Mauro Delella, consultor econômico da assessoria Alta Vista Investimentos, lembra que o segundo trimestre começou com medidas restritivas devido à piora da pandemia no Brasil e que, mesmo com a melhora, essa “infinidade” de eventos nos últimos três meses contribuiu para o cenário piorar.

“ Estamos mais preocupados do que estávamos há três meses ”, afirma. “Não tenho uma visão super pessimista, mas os riscos estão aí. Tem muita coisa que pode atrapalhar, há mais fatores de incerteza agora.”

Aperte os cintosEm meio a tudo isso, os brasileiros devem continuar apertando os cintos das finanças pessoais (para a maioria, não há outra alternativa), conhecendo as limitações do bolso e seguindo com clareza o orçamento planejado.

Economistas aconselham economizar com o que for possível e buscar fontes de renda extra. Eles indicam, ainda, manter o investimento da reserva de emergência, equivalente a seis meses de custo de vida, intacto e, como o nome diz, só gastar com emergências de fato.

Com os investimentos, para quem não tem margem financeira, Marçal, da FGV, recomenda ser o mais conservador possível e priorizar a renda fixa. “Em um ambiente de crise, vale a pena ser conservador e esperar o céu abrir”, afirma. Já para quem tem algo além da reserva de emergência, o professor sugere diversificar bem a carteira para se proteger do que vier.

 

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Fonte: 
Valor Investe Online - SP
Data da publicação: 
01/09/2021
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