Estado inchado

Desde o início do governo de Michel Temer, em abril de 2016, o número de estatais federais começou a diminuir, mas ainda é elevado, na avaliação de especialistas. Conforme dados da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), havia 156 empresas em 2016, 12 a mais do que o número atual (144). Essas empresas chegaram a empregar 556 mil pessoas, em 2014. Em 2017, esse número caiu para 504 mil.

“O número elevado de estatais federais mostra um estado paquidérmico, corporativo, ineficiente e caro”, critica o economista Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, que defende a privatização. “Muitas estatais são ineficientes, deficitárias e sujeitas ao corporativismo. Os escândalos do Mensalão e do Petrolão revelaram que o verdadeiro paraíso dos corruptos eram as estatais”, destaca.

Para Castello Branco, a Nova Lei das Estatais atenua o problema. “Ela cria responsabilidades para os gestores das estatais. Precisamos que elas sejam cumpridas, não apenas pelos executivos e integrantes dos conselhos, mas também internamente. Muitos casos de ingerência na Petrobras foram cometidos por funcionários de carreira, algo que não se resolve com uma boa gestão”, alerta.

De acordo com o coordenador do Observatório das Estatais, da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), Márcio Holland, o Brasil é “um ponto fora da curva” em número de estatais e só é superado pela China, onde há mais de 150 mil.

Levantamento da instituição revela que existem mais de 400 estatais no Brasil, incluindo federais, estaduais e municipais. “Nos escândalos recentes ficou claro que a maior preocupação dos brasileiros é a corrupção, que superou saúde, educação e segurança. Mas o combate à corrupção passa pela redução do tamanho do Estado”, destaca Holland. Segundo ele, há pelo menos 70 estatais federais com grande potencial para serem privatizadas, como a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). 

Fonte: 
Correio Braziliense
Data da publicação: 
17/06/2018
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