O impacto da política econômica nas eleições presidenciais de 2022

O impacto da política econômica nas eleições presidenciais de 2022. Especialistas analisam o cenário para corrida presidencial.

 

A esperança por mais reformas econômicas estruturantes e pela consolidação de políticas econômicas eficazes se renova a cada eleição presidencial. Governar o Brasil é um grande desafio para qualquer candidato. Ainda assim, a atual situação da economia do país deve balizar o voto dos milhões dos brasileiros que vivem o mal-estar provocado pela inflação e pelo desemprego. 

As pesquisas vêm confirmando a polarização entre dois candidatos: De um lado, o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e do outro, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). A viabilidade da terceira via, que tem como pré-candidatos Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) parece pouco provável para a cientista política e Coordenadora Executiva na FGV EESP, Lara Mesquita.  

“Nossa história democrática é muito recente. Tradicionalmente temos dois competidores e um terceiro que pode até ultrapassar a barreira de dois dígitos, mas que dificilmente vai ao segundo turno. Nessa eleição a soma de todos os votos dos possíveis desafiantes, de acordo com as pesquisas espontâneas e estimuladas, não seria hoje suficiente para tirar um ou outro candidato do segundo turno, a menos que haja algum fato extraordinário”, explica Lara. 

Ainda de acordo com Mesquita, os eleitores de 2022 parecem estar se decidindo mais cedo que o habitual. As principais candidaturas estão consolidadas. Além disso, o período eleitoral este ano está mais curto, o que para os desafiantes é ruim, pois estes não terão muito tempo para conquistar o eleitor.  

Para o economista e professor da FGV, Paulo Gala, o cenário macroeconômico atrapalha a perspectiva de reeleição do atual presidente. A inflação (que deve fechar o ano em cerca de 8,5%) somada ao índice de desemprego, elevam o índice de miséria (soma de desemprego mais inflação) a quase 19%.  É fato que houve melhoras em relação ao ano passado, mas ainda assim está ruim. A inflação acumulada em 12 meses chega a 12% de IPCA. 

“A inflação puxada desperta o desejo de virada de poder, como vimos lá atrás, na onda contra o PT. Apesar da criação de novas vagas de emprego, há uma carência de bons empregos no país. E as expectativas para o segundo semestre não são boas. O crescimento do primeiro e do segundo trimestre do ano, ao que tudo indica, não se repetirá no terceiro e no quarto. A desaceleração da economia deve cravar o período eleitoral”, explica o economista. 

Isto porque a alta de juros do Banco Central (BC) vai começar a cobrar o preço em termos de objetivos econômicos. A taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia e principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação, saiu de 2% para 13,25% e pode chegar a 13,75%. “Talvez o terceiro trimestre seja o mais difícil”, analisa Paulo. 

O Coordenador do Programa Master de Pós-Graduação em Finanças e Economia, (FGV EESP), Márcio Holland lembra que a taxa de juros no início de 2021 estava negativa em termos reais (aproximadamente -2%) e a previsão é que chegue aos 5% ao fim desse ano. “Isso tem um impacto muito grande a médio prazo para a macroeconomia”, avalia. 

  Diante desse panorama, qualquer candidato que vença o pleito eleitoral de 2022 precisará de jogo de cintura para a condução da agenda econômica. A governabilidade, que é garantida pela base política no Congresso, será definida pelo chamado “centrão”.  A boa notícia, na análise de Lara Mesquita, é que as reformas políticas que aconteceram nos últimos anos levam os especialistas a esperar um Congresso menos fragmentado do que temos hoje: 

“A gente já viu na janela de mudanças partidárias, que aconteceu em abril, e que é um arranjo para a disputa eleitoral, uma movimentação diferente. O novo arranjo, com o fim das coligações eleitorais, a diminuição do número de candidatos que cada lista partidária pode apresentar, as novas regras para alocação de recursos e as cláusulas de barreira para o acesso aos recursos públicos, nos levam a esperar que a fragmentação vá diminuindo ao longo das próximas eleições e já sentiremos efeitos nessa”, declara Lara.  

A cientista afirma que, com a maior bancada sendo a do “centrão”, o novo presidente eleito terá mais facilidade para formar uma coalizão, pois irá negociar com um número menor de partidos. Sem candidato à presidência e com recursos volumosos, o União Brasil deverá fazer a diferença na eleição de candidatos ao Senado e aos governos estaduais, ocupando papel de destaque no tabuleiro político. “O centrão deverá ser mais pragmático e menos ideológico”, alerta Mesquita.   

 Por essa razão ambos os candidatos à presidência já manifestaram uma orientação para o “centro”. Lula fala em investimentos públicos e em cautela em relação às mudanças a serem feitas, como, por exemplo, na reforma trabalhista. Já Bolsonaro aposta num discurso liberal-populista, simbolizado por programas como o Auxílio Brasil, um programa de transferência direta e indireta de renda, destinado às famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país. 

É importante ressaltar que o principal papel do presidente da República é a coordenação da coalizão. Seja qual for o vencedor, ele terá que ser capaz de orientar a política econômica em meio aos reflexos da pandemia, da inflação, da guerra, entre outros aspectos. Além disso, fatores externos como a alta de juros dos EUA devem estar na distribuição de probabilidades para 2023, aconselha Gala.  

 

O webinar - Eleições Presidenciais e Política Econômica contou com a participação do Coordenador do Programa Master de Pós-Graduação em Finanças e Economia, (FGV EESP), Márcio Holland. Assista ao programa completo aqui  

 

Fonte: 
FGV EESP
Data da publicação: 
25/08/2022
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