O mercado das criptomoedas 

Estudo revela que o mercado atrai jovens investidores com perfil de risco agressivo e curso superior em finanças.  

O uso das moedas digitais vem crescendo no mundo todo. Segundo um estudo da Crypto.com, o número de usuários dobrou no primeiro semestre de 2021 com uma estimativa de 220 milhões de pessoas investindo nesse segmento. As moedas digitais surgiram em 2008 com a criação da Bitcoin. Na época, o objetivo era usar a tecnologia para dar autonomia, independência e segurança para transações financeiras. Hoje, elas já são usadas de diversas formas, desde transações comerciais, como meio de pagamento, reserva de valor e até como remuneração em jogos on-line.  

E o Brasil também vem ganhando importância nesse mercado. Desde abril de 2021, a Bolsa de Valores - B3 já conta com investimentos em ETF’s (Exchange Trade Funds) com lastro em criptomoedas. Esses fundos aplicam o patrimônio de seus cotistas em ativos que visam acompanhar o desempenho de algum índice de mercado como referência.  De acordo com o professor da Escola de Economia da FGV EESP, Jéfferson Colombo, essa é uma forma regulada e segura para pessoa física investir na modalidade. “Os fundos de índice são oferecidos por diferentes gestoras que operam com diferentes moedas digitais, como bitcoin, ethereum, ou um mix de outras criptomoedas”, explica. 

Mas, segundo Jéfferson é preciso ter cuidado. “O investimento em criptoativos funciona como uma renda variável; é um negócio que apresenta muita volatilidade e pessoas avessas ao risco não devem entrar nesse mercado”, alerta. O especialista explica que a principal forma de comprar e vender no mercado de criptomoedas ocorre por meio de um tipo específico de corretora - as Exchanges, que funcionam como empresas auxiliares que facilitam a negociação de ativos por meio de plataformas.  

Jéfferson também é um dos organizadores de uma pesquisa da FGV EESP e da University Blockchain Research Iniciative (UBRI) em parceria com a Hashdex sobre o perfil dos investidores em criptomoedas no Brasil.  Segundo a pesquisa, esse mercado atrai jovens com perfil de risco agressivo e curso superior relacionado a finanças. Os grupos de até 29 anos são os que mais entendem e investem em criptoativos. Os mais jovens também são mais agressivos e arrojados do que os demais investidores.  

O estudo aponta, ainda, que a incerteza regulatória é uma das principais barreiras para o crescimento do setor. O professor explica que a falta de regulação afasta o investidor. “O consumidor precisa saber onde está colocando o seu dinheiro e ter garantias de proteção pois existem muitos casos de gestão fraudulenta de recursos”.    

Mas, essa incerteza deve mudar em breve. Um projeto de lei, que regula o setor e prevê o endurecimento das regras para casos de fraudes e crimes como pirâmides financeiras, já foi aprovado pelo Senado. A proposta, que segue para votação na Câmara, também define o que são ativos digitais e determina que um órgão regulador seja criado pelo Governo Federal. A este órgão caberá, também, autorizar a constituição das Exchanges e dar diretrizes e regras para seu funcionamento. 

Por enquanto, o melhor caminho para quem quer se arriscar nesse negócio é buscar informação de fontes seguras.  Atualmente, existem dois cursos na FGV EESP que tratam do assunto: Criptofinanças e Blockchain. Os cursos são oferecidos para quem faz mestrado e doutorado na Escola, mas, segundo Jéfferson, qualquer pessoa que tiver interesse na área pode cursar essas disciplinas avulsas. “O curso tem uma parte teórica, mas também conta com a expertise de profissionais que atuam nesse mercado”, conclui.  

 

Fonte: 
FGV EESP
Data da publicação: 
29/06/2022
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