Os riscos da inflação alta: mais recessão
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O atual patamar da inflação no País, consequência da gestão política econômica do período de 2010 a 2014, é considerado um dos maiores danos à economia brasileira neste ano. Desde 2009, a variação dos preços medida pelo IPCA tem sido acima do centro da meta estabelecida para inflação, de 4,5%. Sendo ainda mais agravante, as perspectivas da inflação para 2015 apontar para um patamar em torno de 9%.
Rogério Mori, professor da FGV/EESP, comenta que os efeitos desse processo já se fazem sentir em várias dimensões. Na prática, ninguém mais no País, exceto o Banco Central, ainda acredita que a meta de inflação seja de 4,5%. O cenário, associado à percepção da perda de renda real por boa parte das pessoas, tem detonado um processo defensivo por parte dos agentes, que tentam preservar sua renda real mediante reajustes de preços, salários e contratos. Por conta disso, tem se observado uma crescente inércia na inflação brasileira, que tem resistido a cair a despeito da desaceleração da atividade econômica em curso neste ano.
A única forma de reverter esse cenário nesse momento é romper com o quadro de deterioração das expectativas de inflação por parte dos agentes e dar fim ao potencial processo de reajustes defensivos de preços e salários em curso. Infelizmente, isso só será possível mediante um aprofundamento da recessão e do desemprego.