A Selic caiu para 5,5% por ano. Entenda como isso afeta a sua vida

A taxa básica de juros, a Selic, está novamente na mínima histórica: 5,5% ao ano. O corte anunciado nesta quarta-feira (18) foi o segundo consecutivo feito pelo Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central. Mas, ainda que se fale muito sobre a redução dos juros, a economia segue debilitada, e o desemprego, nas alturas. Qual é, afinal, a relação entre a Selic e o dia a dia do brasileiro? Ela pode ajudar a economia brasileira a se recuperar?

O 6 Minutos selecionou os principais efeitos da mudança da Selic e, abaixo, te ajuda a entender cada um deles. Vale adiantar: os efeitos das alterações na taxa não virão imediatamente e serão sentidos só no médio prazo.

Qual o impacto para “gente como a gente”? A Selic influencia a taxa de juros ao consumidor e às empresas. Mas isso não acontece de forma imediata: demora cerca de seis meses para surtir algum efeito na taxa cobrada pelo banco para quem quer pegar um empréstimo. E, dependendo do nível de endividamento da população e do risco do país, esse efeito da Selic pode demorar mais para chegar, ou nem chegar. Leia aqui como os bancos calculam os juros.

E qual o impacto nos bancos? A Selic é a taxa de referência para o custo de captação do dinheiro que será direcionado para a concessão de crédito. Funciona da seguinte forma: o banco capta dinheiro por meio de dinheiro aplicado na poupança e em CDB (Certificado de Depósito Bancário).

Tanto a poupança como o CDB possuem rendimento atrelado à Selic. Isso significa que, se a Selic está alta, o retorno que o banco entrega é maior — e o seu custo de captação também fica maior. Se a Selic cai, ela derruba a despesa que o banco tem para captar recursos. O esperado é que essa “economia” seja repassada para o consumidor final.

Tem impacto no dólar? Sim. A Selic é usada para indexar alguns títulos públicos comprados por investidores (voltamos a esse tópico mais abaixo). A queda na taxa reduz a rentabilidade dessa aplicação e, consequentemente, diminui a demanda pelos títulos. Como boa parte de quem compra são investidores estrangeiras, isso significa uma menor oferta de dólares no país. Em tese, quanto menor a oferta, mais valorizado o dólar.

Como a Selic mexe na bolsa? Enquanto uma Selic maior beneficia o pagamento dos juros associados ao investimento em renda fixa, a queda da taxa tem efeito contrário. A renda variável fica mais competitiva, e as atenções se voltam para a bolsa de valores brasileira, a B3 — no investimento em ações. Ou seja, a queda da Selic faz as pessoas buscarem mais investimentos desassociados da taxa, e a maioria deles está na bolsa.

A Selic impacta as contas públicas? Sim. Uma parte expressiva da dívida pública está indexada à Selic. São títulos de dívida que o governo vende para captar recursos no mercado de investimento — se você aplica no Tesouro Direto, já deve ter ouvido falar do Tesouro Selic. Se a Selic diminui, a taxa de juros desse papel cai e isso significa que a dívida pública crescerá num ritmo menor do que se a taxa básica estivesse em nível mais alto.

Vamos os números fiscais: Entre setembro de 2016 e outubro de 2017, a Selic caiu de 14,25% para 7% ao ano. Nesse período, o governo conseguiu economizar R$ 51,9 bilhões em pagamento de dívida. O benefício foi consequência direta da redução da Selic, segundo levantamento feito pelo IFI (Instituto Fiscal Independente).

Ainda assim, de acordo com o estudo, as despesas com juros chegaram a R$ 415,1 bilhões, ou 6,4% do PIB, entre outubro de 2016 e setembro de 2017. Foi a segunda maior despesa pública, atrás apenas dos gastos previdenciários.

Esse gasto financeiro é reduzido por uma Selic menor, o que, em tese, abre espaço para que mais recursos possam ser direcionados para áreas como saúde ou educação.

Afinal, a queda da Selic é boa ou ruim para o consumidor? É uma boa notícia porque estimula a economia real: o custo do dinheiro cai e isso significa que as empresas se sentem mais encorajadas a investir para ampliar a produção, enquanto consumidores passam a ter acesso a crédito mais barato. Há poucos anos, quando a taxa Selic estava acima de 10%, havia muito dinheiro “engessado” em títulos de renda fixa ou “desperdiçado” no pagamento de juros aos bancos, enquanto ele poderia estar circulando na economia do dia a dia, de forma mais produtiva.


Por Joelson Sampaio, coordenador do Curso de Graduação em Economia da .

Fonte: 
6 minutos - SP
Data da publicação: 
25/09/2019
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