Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta sexta-feira (29)

Todo mundo fala em reabertura. No entanto, segundo atualizados pelo Ministério da Saúde, o Brasil estabeleceu ontem a maior alta de registros de casos de covid-19 em 24 horas.

Foram 26.417 contabilizados em 24 horas, superando os números da última sexta-feira (22). Nove estados do país registraram suas maiores altas de diagnósticos, o que explica o aumento impressionante.

O momento é de tensão. Na saúde e na economia. O PIB caiu, mas as conversas de reabertura seguem em estados como São Paulo, Rio e Ceará. Vale lembrar que boa parte dos dados reflete consequências de pessoas que pegaram a covid-19 há mais de uma semana, já que os sintomas demoram a aparecer.

A alta dos casos foi puxada principalmente por São Paulo que bateu recorde. Foram 6.382 diagnósticos em 24 horas, algo simbólico ao acontecer apenas um dia após o governador João Doria (PSDB) permitir a flexibilização do isolamento social na capital paulista e em outras regiões.

Pelo terceiro dia consecutivo, o Brasil registrou mais de mil mortes por covid-19 em 24 horas e mantém, desde segunda, a maior quantidade diária de óbitos pela doença no mundo.

Apenas os Estados Unidos apresentaram, até o momento, mais que três dias seguidos com óbitos superiores a mil entre um dia e outro. Em 24h, o Ministério da Saúde contabilizou 1.156 novas mortes — no total, o país soma 26.754 óbitos pelo novo coronavírus.

O governo brasileiro passou a fazer parte um acordo de compartilhamento de tecnologia e informação para acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos contra a covid-19, informa o colunista Jamil Chade. O projeto será oficialmente lançado hoje.

A iniciativa é do governo da Costa Rica, o primeiro a sugerir um acordo quadro para estabelecer regras de transferência de tecnologia e de informação sobre a vacina e tratamentos. O projeto ainda conta com a participação de mais de 30 governos, entre eles o da Noruega, Equador e vários outros países no mundo.

De acordo com fontes no Itamaraty, o Brasil informou o governo da Costa Rica e a OMS na quinta-feira de que fará parte do projeto. A decisão representa uma mudança na postura da diplomacia nacional, que se mantinha distante dos projetos na agência internacional.

A mudança coincide com a constatação de que o Brasil passou a ser o epicentro da pandemia no mundo, com 25% do número de mortes em 24 horas e sendo superado em número de casos apenas pelos EUA. Evidências científicas ainda desmontaram parte da estratégia do governo, cada vez mais criticado internamente e nos meios internacionais.

A economia brasileira encolheu no primeiro trimestre deste ano. O PIB (Produto Interno Bruto) do país caiu 1,5% na comparação com o último trimestre do ano anterior, afetado pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus e o distanciamento social.

O resultado interrompe uma sequência de quatro trimestres seguidos de crescimento e marca o menor resultado desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Com isso, o PIB está em patamar semelhante ao que se encontrava no segundo trimestre de 2012.

Em valores atuais, o PIB, que é soma dos bens e serviços produzidos no Brasil, chegou a R$ 1,803 trilhão.

O Ministério da Economia cobrou a aprovação de reformas e elencou quatro desafios que serão enfrentados devido à crise econômica.

Com o aumento do desemprego e a queda da renda, haverá, infelizmente, aumento nos índices de pobreza e pobreza extrema"

Pelo Brasil, diversos estados e municípios discutem como reabrir as atividades econômicas, ainda que os dados que citamos acima mostrem os riscos de que se aumente o contágio com maior número de pessoas nas ruas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que o governo já iniciou a estudar protocolos de saúde para que os brasileiros voltem a trabalhar. Guedes não definiu uma data, mas declarou que esse retorno será segmentado por atividade econômica e por regiões do país. Um grupo de trabalho entre os ministérios da Saúde, da Economia e a Casa Civil estuda esse processo, disse o ministro.

O retorno no trabalho será segmentado. Não será todo mundo ao mesmo tempo. Será por unidades geográficas. Há regiões onde o risco de contágio é menor. E há regiões com maior densidade demográfica, onde o risco de contágio é maior. Todo mundo deve ser examinado"

São Paulo. Em meio a questionamentos em relação ao programa de reabertura que será colocado em prática a partir de segunda-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), disse que a f lexibilização não teve influência de pressões econômicas.

Se a gente reabrisse de qualquer forma, seríamos criticados de que seria de qualquer forma. Paciência. Analisaremos as propostas dos setores para abrir com tranquilidade e não retroceder Não estamos aqui em nenhum momento orientado ou guiados por pressão econômica do grupo A ou grupo B"

Rio de Janeiro. A cidade do Rio de Janeiro deve ter um plano de reabertura das atividades econômicas que prevê seis fases e pode ter fim até agosto. O planejamento foi apresentado ontem em uma reunião do comitê científico municipal com o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Segundo informações do jornal O Globo, as fases serão divididas por períodos de 15 dias. Portanto, caso o plano se inicie em junho e não havendo retrocessos durante o processo, o Rio de Janeiro chegaria a setembro sem medidas restritivas por conta da pandemia do coronavírus.

No final de abril, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), ofereceu ajuda aos estados que estivessem enfrentando colapso pela falta de leitos, para o tratamento de pacientes com covid-19. Lá, não há problemas de falta de vagas. A ideia, entretanto, não foi e nem dá sinais de que vai ser colocada em prática.

Mas por que o país que tem um sistema nacional de saúde — o SUS — há 32 anos não consegue evitar que pacientes morram em filas de espera, enquanto outros tem leitos vazios? A ideia encontra resistências práticas, como a transferência de muitos pacientes de uma vez em percursos de longas distâncias.

Segundo o professor de Direito e de Políticas Públicas na FGV EESP, FGV (Fundação Getulio Vargas) do Rio e de São Paulo, Daniel Vargas, o SUS (Sistema Único de Saúde), ao mesmo tempo em que garante o direito à saúde para todos os brasileiros, também reconhece e estimula a descentralização para municípios e estados. "E isso cria uma rede de coordenação do regime, que tem como centro o Ministério da Saúde", explica.

Para ele, sem uma coordenação federal, "a tendência é que os estados se voltem para si, cada um se apegando ao seu próprio drama".

Desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil foram feitas 155 denúncias de violação de direitos humanos por dia no país. Os 13.537 registros relacionados à covid-19, doença causada pelo vírus, significam 15% do total de denúncias do ano, 87.580. Os dados são da ouvidoria do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Para a pasta, chama a atenção o fato de os dados de denúncias relacionadas à covid-19 apontarem mais queixas de violações entre grupos que tradicionalmente não recebem muitas ocorrências. Geralmente os dados são liderados por casos relacionados a mulheres, crianças e adolescentes e idosos.

A maior parte das denúncias ligadas ao coronavírus envolve pessoas consideradas socialmente vulneráveis (9.768 casos). Em seguida, há registros de violência contra a pessoa em restrição de liberdade (1.459), e violência contra a pessoa idosa (1.136).

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse que o pagamento do auxílio emergencial pode ser prorrogado, mas não deve continuar em R$ 600. Em entrevista ao "Jornal das 16h", da GloboNews, ele explicou que apenas para pagar as três parcelas já aprovadas serão necessários R$ 150 bilhões, e renovar o benefício nestes moldes ficará "muito caro".

"Esse auxílio de R$ 600, da forma que foi aprovado, se transformou em um programa que, em apenas 3 meses, a despesa será de R$ 150 bilhões. Então simplesmente renovar nos moldes atuais... A conta vai ficar muito cara", afirmou, lembrando que as contas públicas registraram em abril um rombo de mais de quase R$ 93 bilhões —o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1977.

Uma portaria do Ministério da Cidadania estabelece que quem trabalhou e recebeu alguma renda nos últimos três meses não tem direito ao auxílio emergencial de R$ 600 do governo federal. É isso que estabelece a portaria 351, de 7 de abril.

A portaria diz que entre os critérios de verificação para dar direito ao auxílio emergencial está o de "não existir vínculo ativo ou renda nos últimos três meses identificada no Cadastro Nacional de Informações Sociais (Cnis)", documento que detalha contribuições ao INSS, salários e empregos do trabalhador.

O governo da Espanha anunciou hoje que o país voltou a registrar apenas uma morte nas últimas 24 horas e 38 na última semana em decorrência da covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Os números refletem uma mudança no mecanismo de contabilidade do Ministério da Saúde, anunciada na última segunda-feira, que indicará apenas os óbitos registrados nos sete dias anteriores ao boletim.

Já a Rússia, terceiro país com mais casos registrados de coronavírus no mundo, registrou, nas últimas 24 horas, 232 novas mortes em decorrência da covid-19. Isso representa um aumento de mais de 30% em relação ao balanço anterior, que indicava 174 óbitos. Com a atualização, o total de mortes chegou a 4.374 no país.

Dezenas de cientistas expressaram em carta aberta sua "preocupação" com a metodologia usada no estudo publicado na revista The Lancet sobre a hidroxicloroquina, cujas conclusões levaram a OMS a suspender os ensaios clínicos com esta molécula.

O estudo, publicado em 22 de maio na prestigiada publicação médica, baseia-se em dados de quase 96.000 pacientes internados entre dezembro e abril em 671 hospitais em todo o mundo e compara a evolução daqueles que receberam esse tratamento e dos que não receberam.

"Esta revisão levantou preocupações sobre a metodologia e a integridade dos dados", enfatizam, detalhando uma longa lista de pontos problemáticos, desde a recusa dos autores em dar acesso a informações de base à ausência de uma "revisão ética". Eles pedem uma reavaliação da pesquisa.

O estado do Tocantins registrou a alta de dois pacientes com idades mínima e máxima recuperados de covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus, ontem.

A bebê Débora Cristhina, de apenas um mês, e o idoso Tomas Pereira da Mata, 95, conseguiram se curar da doença e receberam alta dos hospitais que estavam internados, em Palmas e Gurupi (TO), respectivamente. A saída deles foi comemorada pelas famílias e equipes médicas.

A pequena Débora Cristhina saiu do hospital Dona Regina, em Palmas, vestida de mulher maravilha e foi aplaudida pelos profissionais da unidade de saúde, que ficaram no corredor com bolas de festa.

Fonte: 
UOL Notícias - SP
Data da publicação: 
01/06/2020
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