Crise mundial, valorização do real e quebra de confiança na política econômica levam produção industrial a fechar 2015 em queda de 8,3%, diz economista da FGV

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no dia 02 de fevereiro (terça-feira), os indicadores da produção industrial do país em 2015. A indústria recuou 0,7% em dezembro e fechou o ano em queda de 8,3%, sendo que seu principal componente foi a indústria de transformação, que caiu 9,9% no período. Foi o 20º resultado negativo consecutivo e o maior recuo desde o início da série, em 2003. Os setores que puxaram a queda estão associados aos bens de consumo duráveis e investimentos: eletrônicos (-29,9%), veículos (-25,9%) e máquinas e equipamentos (-14,6%). Segundo o professor Nelson Marconi, da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), coordenador do Fórum de Economia e presidente da Associação Keynesiana Brasileira, esse comportamento é explicado pelos impactos que a indústria vem sofrendo desde 2009: primeiro a crise mundial e valorização de nossa moeda, que inundou nossa economia de importados, e mais recentemente (desde meados de 2014), os reflexos da quebra de confiança na política econômica causada pelo desequilíbrio fiscal e da elevada taxas de juros, que reduziram o investimento privado, e da redução dos investimentos públicos (-35% em 2015).

Há alento nesse quadro? “As expectativas são pessimistas, dado o próprio comportamento do investimento neste ano; mas o volume de exportações de produtos industrializados já mostra sinais de melhoria, e um grupo importante de produtos – os insumos industriais básicos – apresentou variação positiva em 2015.

Ainda que declinante, isso pode configurar um indício do processo de substituição de importados. Ambos os fatores podem arrefecer a queda da produção industrial esperada para 2016.” . 

Veículo: Portal Fator Brasil - RJ
Data: 05/02/2016

Data da publicação: 
05/02/2016
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